Nem só de glamour vive a gaúcha FERNANDA LIMA. Mãe de gêmeos de 7 meses, a modelo, atriz e apresentadora de TV de 31 anos tem uma rotina agitada e cansativa. Formada em jornalismo, ela narra suas observações do dia-a-dia.
SEGUNDA-FEIRA, 1 de dezembro de 2008
5H00_Um choro forte me fez saltar da cama e sair dando joelhadas nos móveis. Coleciono manchas roxas de tanto dar porrada nas quinas, na altura dos joelhos. Botei na sala o baú que enfeitava meu quarto. O abajur que ficava na mesinha-de-cabeceira também já se foi num desses meus saltos instintivos de mãe.
Os sete meses de meus filhos gêmeos João e Francisco me ensinaram que, normalmente, o choro indica a hora de trocar uma ou duas fraldas. Ou de dar uma ou duas mamadeiras. Hoje era isso. Voltei para a cama. De uns dias para cá, percebi que a babá é capaz de fazer esse trabalho sozinha, enquanto continuo dormindo. Há um mês, descobri o poder dos tampões de ouvido. Acho que tenho de todos os tipos: aqueles de silicone que servem para natação e os de esponja que as aeromoças dão nos aviões. Pego alguns toda vez que viajo. Quando meu estoque acaba, apelo para o algodão mesmo.
6H00_João e Francisco acordaram em definitivo. Dei um cutucão no pai deles e pedi, manhosa, que fosse ver como estavam.
7H30_Me dei ao luxo de levantar bem mais tarde do que o normal. Os tampões são bem eficientes. Passei nove meses com insônia, enjôo e azia noturna, fora os quatro meses e meio sem dormir, amamentando madrugadas a fio. Preciso repor as energias. Ainda sinto muito sono. Rodrigo, um paizão de verdade, foi trabalhar, e eu fiquei com as crianças.
A sala de casa virou um grande playground, com tatames coloridos e todos os tipos de brinquedos espalhados pelo chão. Gosto de reciclar as coisas e transformá-las em objetos de diversão. Há um tempo, enchi garrafas plásticas de vários tamanhos com milho, lentilha e grão-de-bico e dei para os meninos brincarem. As menores fazem um sucesso danado como chocalho, e a maior, que é de 6 litros, do tamanho deles quando estão sentadinhos, é um tambor maravilhoso. Gosto também dos brinquedos usados que ganhamos dos amigos que têm filhos mais velhos. Brinquedos novos são caríssimos e perdem seu valor em segundos. Até hoje, o único que comprei - um laptop que acende e toca música - atraiu a atenção dos meus guris por poucos segundos e foi trocado por uma colher de plástico.
O dia estava feio. Não teve passeio matinal. Enquanto fiquei com eles, a babá preparou o almoço. O menu diário é sopa de legumes feita na panela de ferro, com quinua - um grão super-rico em proteínas, plantado nos Andes - ou arroz integral empapado. Às vezes, eles também comem frango ou músculo orgânico, misturados na sopa. Não estudei nada sobre alimentação de bebês, mas acho que eles não precisam comer carne todos os dias. Estou procurando uma nutricionista para me guiar melhor.
11H00_Almoço das crianças. Eu e a babá dividimos o trabalho. Cada uma fica responsável por um. Dona Lurdes, nossa cozinheira-arrumadeira, faz de tudo para animá-los a comer. Hoje ela cantou e até dançou para ajudar no processo. Deu certo.
11H40_Hora do banho. Sabonete, duas toalhas, roupinhas... a logística perfeita para um banho de gêmeos dar certo. Como estava com tempo, entrei no chuveiro com um, dei banho e o enrolei na toalha, enquanto a babá me trazia o outro peladinho dando gargalhadas. As cifras na vida dos gêmeos são homéricas. Gastamos em média dez fraldas por dia, com cada um. No mês, são 600. Um pacote com vinte custa 25 reais, o que dá 750 reais por mês só de fralda.
Depois do banho, eles dormiram. Saltei na bicicleta e fui para o balé. No primeiro dia em que conversei com o professor francês, ele pegou no meu corpo e foi taxativo: "Você precisa de tônus. Está com a bacia frouxa!"
Gosto das aulas, mas nunca imaginei que, com o passar dos anos, tivesse embrutecido tanto os movimentos. Não foi fácil começar, mesmo com a boa vontade do professor. Vivo correndo atrás das outras bailarinas para não fazer feio.
Na volta para casa, chovia muito. Encarei e até achei graça, mas não parei de me questionar por que as bicicletas não vêm mais com pára-lamas... Cheguei toda respingada. Um banho quente e fui em busca do arroz empapado com o feijão das crianças. Coloquei uma farofinha, fritei um ovo, cortei um tomate - e foi.
16H00_Sempre de bicicleta, passei no supermercado e, depois, numa loja de colchões. A mulher do Gabriel, o Pensador, me indicou um colchão fabricado pela Nasa que seria ótimo para o sono dos meninos. Francisco não tem problemas para dormir, mas João é muito ligado. Não relaxa completamente. Cheguei à loja e tive que entrar com bicicleta e tudo. Fiquei com medo de perdê-la para possíveis pivetes. O tal colchão custava 1 800 reais cada um. Desanimei. Quando já pensava em voltar para casa, a vendedora me ofereceu um genérico por 500. Topei na hora. Meus filhos merecem tudo de bom, mas, se eu não me controlar, gasto demais.
18H00_Cheguei em casa a tempo de dar o jantar. Iniciamos o mesmo ritual da hora do almoço, só que terminamos no berço.
19H00_Silêncio na casa. Peguei a bicicleta e fui jogar vôlei de praia. Comecei na semana passada e me divirto demais. Aprendi que, se você colocar uma das pernas na frente, a manchete sai certinha. Se elas ficarem paralelas, a bola toma um rumo louco. Agora meu objetivo é aprender a cortar!
21H00_Jantar a dois na esquina. Deve existir, sim, vida amorosa após o nascimento de gêmeos. Sair para comer um temaki é um programão.
23H00_Apagam-se as luzes. Quem tem criança