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horóscopo
Encontro Anual de Astrologia
Chantecler, aquele que tudo vê, viu. E conta.
CHANTECLER
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Quando Vênus começou a retroceder para a casa de Virgem, cerca de cinqüenta profissionais, amadores e amantes da astrologia se reuniram num auditório da avenida Lacerda Franco, número 1 542, no bairro da Aclimação, em São Paulo. O propósito era discutir questões da totalidade mística, dos zigurates sumérios e demais revelações do mundo cerúleo e celestial. Tratava-se da Astrológica 2007, um dos eventos seminais (emblemáticos, icônicos, cults e tudo o mais que se diz na Ilustrada) do calendário zodiacal brasileiro. Foram dez dias de colóquio, de astros embevecidos, de polêmicas estrelares, de - faltam-me palavras. As discussões mais densas ocorreram entre os dias 27 e 29 de julho, quando Mercúrio e Urano entraram em trígono e a Lua transitou por Capricórnio, o que, como todo conhecedor das coisas do céu sabe, favorece a densidade das idéias. 

O cardápio das palestras foi vasto: "Causas astrológicas de adultério e destruição de relações", "A obesidade está no mapa?", "Reflexões sobre a casa 12" e "Os sacerdotes astrônomos da Caldéia". Os palestrantes podiam fazer uso de projeções em power point e de uma lousa. O auditório, de resto sóbrio, era adornado por um diminuto vaso de flores amarelas, cortesia da Gaia Escola de Astrologia, que sediou o evento e cedeu o auditório Júpiter - localizado na sala Mercúrio, dentro do espaço Vênus.
As previsões de Chantecler, astrólogo titular desta revista, foram tema da palestra "Imagens contemporâneas da astrologia 2: as previsões da revista piauí". Chantecler, que mora em Barra Mansa e passa o dia de pijama, não pôde comparecer, mas viu tudo. E conta em detalhes para a atilada reportagem de piauí - que psicografou o relato pelo telefone. 

Segundo o astrólogo, exatamente às 10 horas e 33 minutos de sábado, numa das manhãs mais frias do ano em São Paulo, profissionais do zodíaco sacaram suas edições da revista e discutiram, com propriedade e circunspeção, a natureza e o significado das previsões piauienses. De acordo com o místico, que visualizou o evento deitado no sofá enquanto jogava mico com um primo, o objetivo era analisar suas previsões dentro do quadro dos horóscopos da imprensa tradicional. Coube a Ana González, "pesquisadora de Mercúrio, especialista em leitura e professora universitária", enfrentar o tema, sabidamente espinhoso. Sob seu comando, mais de cinqüenta pessoas opinaram sobre Chantecler. Entre os participantes, havia número considerável de senhoras de meia-idade com cachecóis e blusas de plush, o que, convenhamos, não tem importância. 

Em 2003, no mesmo colóquio, Ana González já havia analisado a influência de Marte no mapa astral do escritor Ernest Hemingway. Antes de se debruçar sobre Chantecler, Ana González recapitulou o momento decisivo daquela sua marcante apresentação. Segundo ela, o autor de Por Quem os Sinos Dobram tinha o Sol em Câncer, na casa 11 (em quadratura com Júpiter), e a Lua em Capricórnio, na cúspide da casa 5, o que deve significar alguma coisa, pois não foi pequena a manifestação de surpresa da platéia. Exclamações de espanto, de fato, atravessaram o auditório com o impacto de uma cúspide - ou será de um cuspe? No ano passado, a astróloga apresentou a primeira parte de uma série intitulada "Imagens Contemporâneas da Astrologia", na qual fez uma análise de vários contos de escritores contemporâneos, à luz da astrologia profissional. Na Astrológica deste ano de 2007, deu continuidade ao tema, dissecando os horóscopos mensais da piauí. Segundo González, a página astrológica da revista se fundamenta numa "abordagem mais filosófica". Puxa... 

Em respeito aos seus minguados leitores, Chantecler poupa detalhes na hora de descrever a abertura dos trabalhos. Segundo ele, apenas 30% dos participantes conheciam a revista. Desse universo, a maioria considera a publicação "muito ruim", "pretensiosa" e "do contra". Nomes não serão citados. Como se sabe, os horoscopistas são difíceis de agradar. Diante da platéia hostil, González concede que as reportagens e artigos são bem escritos, embora a motivação de Chantecler seja banal. Confessa que sua primeira impressão do horóscopo foi ruim: "A imagem do astrólogo é horrorosa", protestou, sem esclarecer ao certo a que imagem se referia, se à de Chantecler ou à da astrologia em geral. A ambigüidade é grande, pois Chantecler é de fato bastante feio, o que nunca o incomodou: ele até se orgulha do seu topete. 

Seguiu-se uma fieira de acusações. Segundo a palestrante, nosso astrólogo é tratado como profeta, prestidigitador, homem de fé e "ser humano iluminado", o que, espantosamente, ofendeu os presentes. Além disso, o horóscopo de dezembro se referiu a Chantecler como primo distante de Noel, o da Lapônia, dos duendes e das renas. Pegou mal. Severa, a palestrante observou: "Às vezes, eles passam dos limites". Nesse ponto, quem se exalta é Chantecler. Com fúria contida, e um brilho gélido nos olhos, jogou o chinelo no (terceiro) olho do primo, que nada tem a ver com a história. Chantecler exige uma retratação: a edição de dezembro não menciona a Lapônia nem o Papai Noel. A Lapônia é citada nas edições de novembro e abril, mas sempre com referência ao grande mestre Mika Waltari, com quem Chantecler tudo aprendeu. Essas páginas jamais disseram, ou insinuaram, que Chantecler é primo do Papai Noel. As rodas da Justiça já foram postas em marcha. Os advogados de Chantecler não terão compaixão. Com essas coisas não se brinca. 

Sem desconfiar que Chantecler estava presente em espírito, González continuou sua peroração. Segundo ela, o nome do nosso astrólogo é bonito e deve ter algum significado etimológico. Se tem, Chantecler desconhece. Mas nome bonito, de rico significado etimológico, não é álibi para misturar diversos campos do conhecimento, acusação da qual Chantecler é objeto. Nas previsões que faz, aparecem a ioga tântrica, o ocultismo, o espiritismo e a auto-ajuda. "Ele faz uma salada", proclamou González. Chantecler lançou o segundo chinelo no primo. A estudiosa seguiu adiante: ao contrário do que pensa o titular desta página, "astrologia não é questão de fé, mas uma ciência que se baseia na interpretação de um conjunto de signos. Existe, por exemplo, a corrente védica, o método construtivista, os

 
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