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A conta da crise islandesa

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Quem pagou, afinal, a conta da crise islandesa? Em parte, a população, nem toda ela inocente, diga-se. Não foram poucos os que aderiram à farra do crédito fácil. De todo modo, quando o Tesouro se pôs a consertar o estrago, também os inocentes receberam a fatura, na forma de impostos, desvalorização da moeda, cortes em investimentos e em benefícios sociais, achatamento de salários, inflação e desemprego.

Especificamente, nos meses que antecederam a quebra, os três bancos islandeses, acossados pelos credores estrangeiros, entraram em acordo com o bc: contra títulos emitidos, receberiam coroas para honrar seus compromissos. Ao quebrar, deixaram o governo com papéis micados. O valor desses papéis é praticamente sinônimo do prejuízo que a catástrofe causou ao país.

Esse custo interno — o custo para a Islândia — é pequeno, comparado ao prejuízo de quem emprestou ao país. O bocado do leão foi parar no colo de credores privados — bancos internacionais, a maioria deles europeus, dos quais metade alemães. Extintas as esperanças de reaver os empréstimos à trinca islandesa, pegaram a caneta vermelha e deram por perdidos 63 bilhões de dólares. 

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