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Ego nas alturas

Na sala “Energia Criativa” de seu Instituto de Novas Idéias, o piloto de ultraleve Indio da Costa diz que não tem direito a estresse

por Consuelo Dieguez

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Passava das onze da manhã de um domingo nublado, no começo de julho, quando Antônio Pedro de Siqueira Indio da Costa, ou simplesmente Indio, como é chamado, entrou em seu escritório político, num prédio art déco do centro do Rio. O escritório agora faz as vezes de quartel-general da sua campanha a vice-presidente. Ele ocupa metade do 4º andar e foi remodelado pelo pai, o arquiteto Luiz Eduardo. A decoração, em tons de amarelo e laranja, leva a assinatura da mãe, a decoradora Ana Maria, enquanto parte dos móveis foi projetada pelo irmão, o designer Guto Indio da Costa. As paredes e portas foram substituídas por imensos painéis de vidro. De qualquer sala, cada uma com sua função indicada – “Secretárias”, “Articulação”, “Reuniões”, e até uma singular “Energia Criativa” – é possível observar tudo o que acontece em volta.

Indio da Costa é alto e magro, tem a pele morena e os cabelos negros bem curtos. Havendo motivo ou não, sorri quase todo o tempo. Aparenta menos que seus 39 anos. Nesse 11º dia desde sua investidura como candidato a vice de José Serra, vestia mocassins marrons, jeans e camisa social branca sem um amassadinho, apesar de ter estado toda a manhã em campanha. Cumprimentou os assessores de plantão no domingo, distribuiu tapinhas nas costas e apertos de mão, e deu uma geral no ambiente. Logo reparou que uma das lâmpadas estava queimada. Perguntou um tanto contrariado: “Não consertaram isso aqui ainda? Chamem o eletricista, num instante ele dá jeito. Se não, deixa que eu mesmo troco.” Encaminhou-se à sala de reuniões cantarolando em voz alta o clássico de Cole Porter imortalizado por Frank Sinatra, I’ve got you under my skin. Cantava porque estava feliz, explicou.

Pouco depois de sentar, antes mesmo de a entrevista começar, botou a mão sobre a têmpora direita. “Você está vendo esse caroço aqui?”, perguntou, sugerindo que pressionasse os dedos no local indicado. “Está sentindo o calombo?” Com o alerta, é possível notar uma leve protuberância. Em seguida, inclinou a cabeça, afastou os cabelos e chama a atenção para uma finíssima cicatriz branca que lhe atravessa o couro cabeludo quase de orelha a orelha. “Tive que operar um aneurisma congênito”, explicou. “Era muito grande e estava numa área delicada do cérebro”,

Expansivo, contou que descobriu o aneurisma por puro acaso, depois de sofrer um acidente automobilístico, em 2003. Na época, o deputado carioca ocupava o cargo de secretário de Administração do Rio de Janeiro. “Um maluco vinha na contramão e bateu no meu carro”, disse. “Não sofri nada e voltei para casa. Apenas bati levemente com a cabeça no vidro. Só dois dias depois o médico pediu alguns exames que acabaram detectando o problema. Parece que eu tive muita sorte de descobrir o aneurisma antes que se rompesse.”

O deputado não contou, contudo, que o acidente ocorrido na madrugada de 29 de junho de 2003, no Itanhangá, Barra da Tijuca, resultou num processo criminal que o Ministério Público moveu contra o taxista Marcio Lopes de Carvalho. Os autos contêm discrepâncias profundas em relação a sua narrativa. No processo consta que Indio da Costa foi transportado de imediato do local do acidente para a clínica São Vicente, na Zona Sul. Sangrando, deu entrada no setor de emergência com suspeita de traumatismo craniano. Só saiu de lá depois de operado.

Na entrevista , o candidato a vice-presidente ateve-se às lembranças dramáticas que guardou da cirurgia de alto risco. O acidente, na sua versão, fora corriqueiro. “O Paulo Niemeyer me alertou que eu podia morrer ou ficar paralítico”, disse, referindo-se a um dos mais renomados neurocirurgiões cariocas. “Respondi que queria operar de qualquer maneira para não passar a vida com medo de que aquilo explodisse. ” Acrescentou que costuma ser aconselhado a não falar no episódio, a tentar esquecê-lo. “Respondo que quem vê a morte de perto não esquece nunca. E que isso mudou minha forma de ver a vida.”

Duas semanas mais tarde, ao saber que os autos do processo número 2003.800.152746-8 davam uma versão bastante diferente do acidente, ele enviou um e-mail corrigindo o relato que fizera, aproximando-o do que consta no processo. “Talvez eu não tenha sido preciso na primeira entrevista – afinal, não é um momento da vida que eu goste de recordar”, explicou. O boletim de ocorrência feito pelo sargento Sebastião Carlos Martins, hoje aposentado, não inclui perícia porque, quando o pm chegou ao local, a cena do acidente havia sido desfeita. Embora o Passat de Indio da Costa não estivesse mais na posição da batida, a polícia concluiu pela culpa do taxista, que teve as duas pernas quebradas, sofreu cinco fraturas, o motor lhe esmigalhou os ossos, ficou cinco meses em cadeira de rodas, tem dezesseis pinos metálicos e cinco platinas no corpo. Levada aos tribunais, a causa foi extinta pela Justiça. O taxista acaba de entrar com uma ação indenizatória na vara cível contra Indio da Costa e insiste que não foi o culpado pelo acidente. Indio da Costa retirou o processo contra Marcio Carvalho em 2004.

A campanha eleitoral que naquele domingo começara às quatro da madrugada com uma viagem até Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, tinha sido, segundo ele, muito produtiva. “Visitei hospitais e feiras livres. Fui para a rua ouvir as pessoas”, contou, enquanto mostrava uma sala maior, com vista para a Baía de Guanabara e o Museu de Arte Moderna. Naquele espaço funciona o seu “Instituto de Novas Ideias”, conforme indica o nome inscrito na porta de vidro.

Fundado sete anos antes, o instituto recebeu a sigla inirio e fez parte de seu plano frustrado de eleger-se prefeito do Rio de Janeiro, em 2008. Da equipe inicial de trinta pessoas restam quinze, uma vez que o banco de dados idealizado para alavancar sua carreira política foi concluído. O banco guarda informações sobre todas as escolas, creches, hospitais, postos de saúde, delegacias, batalhões da Política Militar, Corpo de Bombeiros e outros serviços públicos do município do Rio. E adquire visibilidade máxima no grandioso mapa da cidade afixado numa das poucas paredes de alvenaria que restam no escritório. Para acessar o banco, basta recorrer ao teclado acoplado ao mapa. Ao digitar o nome de um bairro e inserir a palavra “hospitais”, por exemplo, luzinhas se acenderão indicando a posição exata das unidades. É possível ver o número de alunos ou professores de uma escola, o seu desempenho escolar, a qualidade da merenda ou condição física do imóvel. A atualização ou correção desses dados, porém, piorou desde a troca de prefeito.

Indio parou na frente do mapa e deu algumas explicações. “Por aqui podemos ver que há uma enorme carência de creches em Acari, um dos bairros mais pobres do Rio.” Arrastou a mão para o bairro ao lado. “Veja que aqui há sobra de Cieps, mas falta um batalhão de polícia.” Interrompeu por duas vezes a explanação para fechar a porta de entrada do escritório. Na terceira vez, chamou a atenção de um dos assessores: “Dá para vocês deixarem aquela porta fechada, por favor?” Sentou-se numa cadeira de rodinhas e sentiu-a bamba. “Acho que está faltando um parafuso aqui. Veja se não está aí no chão”, pediu a outro assessor, que logo encontrou a peça. Indio a encaixou e se esparramou com segurança na cadeira. Um motorista entrou na sala para perguntar se podia ir embora. Indio autorizou, mas antes pediu que ele lhe comprasse três Red Bull Light.

Segundo o deputado, com esse mapeamento, qualquer administrador tem condições de conhecer os pontos fortes e fracos da cidade, e administrá-la com mais segurança. Explicou como surgiu a ideia do projeto. “Quando eu estava no hospital, fiz uma lista de tudo o que eu já tinha feito e o que ainda queria fazer. A primeira lista coube numa única folha de papel; a segunda foi ficando mais e mais extensa”, contou. “Calculei que um projeto desse tipo me ajudaria muito, caso eu me tornasse prefeito do Rio.” Só que na convenção do DEM de 2008, Indio da Costa foi preterido pelo partido. Estava com 36 anos de idade e tinha pressa em realizar algo de vulto. “Operei o aneurisma aos 32 anos e percebi que o tempo na Terra é curto. Decidi fazer algo bem bacana antes desse tempo acabar.” Passou a acalentar a ideia de concorrer ao governo do estado do Rio em 2014.

O “bem bacana” lhe chegou muito antes, por telefone. Foi na manhã de 30 de junho passado que lhe caiu no colo a chance de subir a rampa do Palácio do Planalto como 25º vice-presidente da República. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, seu companheiro do DEM, lhe telefonara para avisar que o tucano José Serra cogitava que ele fosse o candidato a vice. Pediu total sigilo até que a direção dos dois partidos fosse avisada. Indio topou na hora. Às 13 horas daquela quarta-feira, já tinha o “sim” na ponta da língua quando o presidente do DEM, Rodrigo Maia – que desconhecia a sondagem de Kassab – lhe comunicou a escolha e passou o telefone a Serra, que ratificou o convite. Para Indio da Costa, não havia por que hesitar. “Um candidato com cujas ideias você concorda, de repente te liga e diz: ‘Você quer vir comigo?’, Você vai dizer que não? Só louco não aceitaria”, contou.

Instado a elencar suas credenciais para assumir a chefia da nação em caso de impedimento do titular, Indio da Costa reclinou-se na cadeira e respondeu em tom casual: “O Lula foi só deputado, partiu direto para a Presidência e foi muito bem-avaliado. Eu não estou começando a minha vida pública agora, apesar de as pessoas gostarem de repetir isso. Tenho dezoito anos corridos de mandato, entre o Legislativo e Executivo, e vinte anos de atuação na vida pública.”

José Serra nunca foi o tucano preferido do DEM para compor a coligação que garantirá ao candidato tucano mais três minutos de tempo na televisão. A maior parte do partido torcia para que o indicado fosse o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, com quem os Democratas têm maior afinidade política e ideológica. Tampouco Serra demonstrou grande entusiasmo por seus parceiros democratas, e entre amigos, costuma referir-se a alguns de seus líderes como “aqueles direitões”.

Em dezembro, quando Aécio constatou que não teria chance e Serra consolidou-se como candidato, o presidente do DEM, Rodrigo Maia, procurou seu análogo tucano, o senador pernambucano Sérgio Guerra, para comunicar que seu partido só abriria mão de participar da escolha do vice na chapa se o indicado fosse Aécio Neves. “Não queríamos impor nomes, apenas queríamos ser consultados. E Guerra nos deu a palavra de que isso aconteceria”, contou Maia durante um recente café.

Em meados de junho, Serra desembarcou no Rio. Foi à churrascaria Plataforma, no Leblon, e juntou-se aos dirigentes do Flamengo, entre eles a presidente do clube e vereadora tucana Patrícia Amorim, para assistir à estreia do Brasil na Copa. Durante a partida, o senador Tasso Jereissati soprou-lhe no ouvido que Patrícia Amorim, por ser jovem (41 anos) e mulher (51,8% do eleitorado brasileiro), poderia ser uma boa jogada de marketing na composição da chapa. Serra registrou a sugestão, chegou a testar com amigos a possibilidade da vice Patrícia Amorim, mas não levou adiante a ideia. O frenesi desencadeado pelos jogos na África do Sul fez com que a hipótese não tomasse conta do noticiário.

Restando-lhe apenas uma semana de prazo legal para indicar um vice, José Serra sacou o nome do senador Alvaro Dias, do PSDB do Paraná. O acordo foi selado na casa do presidenciável tucano no bairro de Alto de Pinheiros. Não porque Alvaro Dias esteja mais alinhado com as ideias de Serra: ele é um “direitão” de truz. E sim porque, pelo acerto, o irmão caçula de Alvaro Dias, Osmar, do pdt, abriria mão de concorrer ao governo do Paraná e sairia candidato ao Senado coligado com o PSDB. Assim, se romperia a aliança do pdt com o PT no Paraná. E a chapa Serra-Dias garantiria uns 2 milhões de voto naquele estado. “Numa eleição que está sendo disputada cabeça a cabeça, esses votos eram fundamentais para o partido”, contou um dos participantes.

Os partidos da coligação com o PSDB tomaram conhecimento da escolha do paranaense na manhã seguinte, pouco antes do segundo jogo do Brasil. O primeiro telefonema dado por Sérgio Guerra foi para Roberto Freire, do pps, que concordou. Em seguida, foi a vez de Roberto Jefferson, do PTB, que, naquele momento, passeava de moto em Juiz de Fora, Minas Gerais. Guerra pretendia comunicar a novidade pessoalmente a Rodrigo Maia e se programou para viajar ao Rio, logo depois de o juíz soar o apito final de Brasil X Portugal. Não teve tempo. Roberto Jefferson estacionou a moto num posto de gasolina e postou, ligeirinho, no seu Twitter: “Alvaro Dias será o vice de Serra. Fui.” Segundos depois o telefone tocou na casa de um dos assessores de Sérgio Guerra. A pergunta do outro lado da linha foi: “Você está vendo o jogo? Pois então esquece. O jogo acabou pra você. O senador quer todo mundo a postos pra apagar o incêndio.”

A notícia enfureceu os dirigentes do DEM. “Assim que soube da decisão do PSDB peguei o telefone e comecei a ligar para as lideranças do meu partido”, contou o deputado Rodrigo Maia. “Disse que não aceitaria aquilo de jeito nenhum e que iria para a convenção, no dia 30, disposto a melar o acordo.” Dramático, complementou: “Eu aceito derrota, mas nunca recuo. Vou para o suicídio sozinho, mas não recuo.”

Foi com o banzé armado que Sérgio Guerra desembarcou no Rio acompanhado do deputado Jutahy Magalhães Junior, da Bahia. O encontro com Rodrigo Maia se deu numa sala reservada do aeroporto Santos Dumont e foi tão desastroso quanto o empate zero a zero com Portugal. “Perdi o controle”, admitiu o presidente do DEM. “Xinguei-os de todos os palavrões.” A discussão ameaçou descarrilhar quando Maia colocou o dedo na cara de Jutahy. “Ele empurrou minha mão e disse que eu o estava desrespeitando. Sérgio Guerra procurava nos acalmar. Em determinado momento, Jutahy se isolou no banheiro para ligar para o Serra.”

Na outra ponta, Serra manteve Alvaro Dias como vice. O presidente do DEM contra-atacou: convocou a caciquia democrata para um almoço no dia seguinte na sua casa, em São Conrado, no Rio.

Seguiram-se 72 horas de insônia generalizada da oposição. Recém-retornado de Paris, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso assumiu o papel de bombeiro e telefonou logo cedo para algumas lideranças do DEM – Marco Maciel, José Agripino Maia e Jorge Bornhausen – antes de se trancar numa reunião com outros Democratas no Hotel Emiliano, de São Paulo. Em Brasília, o senador Heráclito Fortes, do DEM do Piauí, convocou aliados para jantar em sua casa. Rodrigo Maia chegou acompanhado de Gilberto Kassab. “Eu queria preparar o partido para um enterro de luxo. Achava que teríamos que engolir aquela solução do Paraná”, contou o senador.

Não foi preciso porque o acordo paranaense entrou em colapso antes. Por volta das 23 horas, o deputado Abelardo Lupion, presente no jantar brasiliense, recebeu um telefonema do Paraná. Era Osmar Dias, informando que tinha desistido da aliança com o PSDB e que concorreria a governador coligado com o PT. Fulminados pela notícia, Rodrigo Maia e Gilberto Kassab embarcaram para São Paulo num jatinho fretado, em plena noite, enquanto Heráclito telefonava para transmitir a péssima notícia a José Serra.

O helicóptero do candidato tucano acabara de aterrissar no aeroporto de Cumbica, retornando de um evento político que se alongara, quando Serra atendeu a chamada de Heráclito. “Ele simplesmente não acreditou no que eu disse”, relembrou o senador.

Com Kassab e Maia já a caminho de um encontro madrugada adentro com Serra, outro jatinho decolava para Belo Horizonte, afim de buscar Aécio Neves. O grupo se reuniu até as cinco da manhã. Tentavam chegar a um nome de consenso. “O problema é que, naquela altura, todos os possíveis nomes de peso do partido já estavam comprometidos nos estados”, explicou Rodrigo Maia. “A proposta que fizemos a Serra foi que, se o nome fosse do PSDB, a escolha seria do DEM, e, se fosse do DEM, a escolha seria do PSDB.” Foi o máximo que conseguiram até a reunião ser interrompida para que todos pudessem descansar.

Mas antes das 8 horas da quarta-feira, José Serra já estava ao telefone querendo saber o que Kassab achava de Indio da Costa. O presidenciável tucano havia discutido o nome do deputado carioca com o marqueteiro de sua campanha, Luiz Gonzalez, que gostara da ideia. Indio da Costa era jovem, representante de um estado-chave onde o PSDB precisava se fortalecer, tinha alguma experiência administrativa e, melhor de tudo, estava em evidência por ter sido o relator do projeto Ficha Limpa. Nem fhc, nem Sérgio Guerra, souberam da escolha antes de Rodrigo Maia. “Serra ficou com medo que a notícia vazasse e se repetisse a confusão do Roberto Jefferson”, contou um tucano.

Desde menino, Indio da Costa mostrou talento por inventar negócios. Aos 8 anos, esculpia crucifixos em pregadores de roupa e os vendia a amigos. Aos 11, tornou-se tiete de Michael Jackson e passou a frequentar as festinhas da época vestido a caráter, com luva de paetê e tudo. Segundo o publicitário Kiko Lomba, amigo de infância do deputado, ele imitava os passos Moonwalk do cantor muito bem. Eles se conheceram no Andrews, o colégio de grife liberal da Zona Sul, no Rio, e a música os aproximou.

“Eu estudava guitarra e, ele, bateria, e chegamos a pensar em tocar juntos”, contou Lomba, que se diverte ao lembrar as diferenças de temperamento. “Ele era organizadíssimo, me passava dever de casa, me indicava uma lista de músicas – de rock a mpb – que eu deveria estudar. Eu não cumpria nenhuma das tarefas e ele ficava muito impressionado com a minha desorganização.” Segundo o publicitário, desde cedo, Indio tinha uma personalidade autoconfiante. “Quando ligava para a minha casa e meu pai atendia, ele perguntava: ‘O senhor sabe quem está falando? Aqui é o Antônio Pedro Indio da Costa’, e só depois pedia para me chamar”, contou. “Meu pai achava aquilo muito engraçado. Ele só se referia ao Antônio Pedro como ‘o senhor sabe quem está falando’.”

O projeto de ser baterista não foi adiante, embora Indio tenha tocado no Circo Voador com Pedro Gil, filho de Gilberto Gil, morto em um acidente de carro. Começou então as investidas empresariais: desenvolveu um aparelho para espantar mosquitos, que vendia para os amigos do pai. Em seguida montou um negócio de venda de peixes ornamentais. “Tinha aquário que não acabava mais espalhado pela casa dos meus pais”, lembrou Indio.

Perto dos 15 anos, vendeu os aquários para comprar uma aparelhagem de som e atuar como dj em festas de amigos. Uma das primeiras que organizou foi para uma colega de colégio, filha do escultor Sérgio Camargo. “Me saí tão bem que recebi 100 dólares e outros 100 para o meu parceiro, quando o que cobrávamos era, no máximo, 10 dólares”, contou, orgulhoso.

Aos 18 anos, herdou de um amigo da família, que se mudara para os Estados Unidos, uma caixa com mais de mil discos de vinil. “Tinha de tudo ali. Flashback, Donna Summer, Diana Ross, Earth, Wind a& Fire”, relembra.

Com a nova discoteca, os convites para organizar festas se multiplicaram. “Segundo definição de um neurolinguista, sorte é quando a competência encontra a oportunidade”, explicou Indio da Costa. “Eu realmente me dediquei àquele trabalho. Se eu não tivesse tido paciência para ouvir todos aqueles discos, eu nunca teria tirado proveito daquilo.”

Aos 19 anos, já cobrava 1 mil dólares por festa. “Acho que foi assim que aprendi a fazer política”, explicou. “Quando você é dj, você lida com contrários. Numa festa onde está tocando rock, chega um sujeito e pede samba, outro quer MPB, e, um terceiro, valsa. Você tem que administrar interesses distintos.”

Indio da Costa nunca pensou muito em política até assistir a uma palestra de Cesar Maia. Ele cursava direito na Faculdade Cândido Mendes em Ipanema, em 1992, quando assistiu a uma conferência do então candidato a prefeito do Rio. Encantou-se com as propostas do candidato de como administrar a cidade. “Me engajei imediatamente na campanha”, disse. Montei uma superfesta numa boate da Barra para arrecadar fundos e foi um sucesso. O Cesar ficou impressionado com a quantidade de jovens que consegui reunir em seu apoio.” Indio chegou a pintar o nome de Cesar Maia na asa-delta que havia comprado e sobrevoava a orla fazendo propaganda da candidatura. Mais recentemente, trocou a asa-delta por um ultraleve . “É um prazer ver o Rio lá de cima”, garante. Capotou com o avião poucos dias antes de ter seu nome anunciado como vice, mas saiu ileso do acidente. Suspendeu os voos durante a campanha.

Quando Cesar Maia se reelegeu prefeito, em 2000, Indio da Costa e Eduardo Paes foram chamados a trabalhar com ele. Indio tornou-se subprefeito do parque do Flamengo, depois administrador regional de Copacabana e por fim secretário da Administração da prefeitura, em 2001. Indagado se continuara amigo de Paes, respondeu que nada tinha contra o ex-companheiro de partido, mas criticava sua decisão de bandear-se para o PMDB, com o objetivo de se eleger prefeito: “O preço que o Eduardo Paes está pagando é muito alto. Eu não pagaria. Ele foi eleito pela máquina do PMDB. Todo mundo sabe quem são as pessoas que têm influência no governo dele – o candidato a senador Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa do Rio e companhia limitada. O sujeito vai ser prefeito na vida uma vez, ou oito anos, no máximo. Ou você realiza o que sonha, ou não vale a pena. Com esse grupo que está por trás dele, o Paes não tem condição de fazer nada. Basta ver como a cidade está detonada.”

Durante os anos em que Indio da Costa e Eduardo Paes trabalharam juntos com Cesar Maia, ambos namoraram a filha do prefeito, Daniela. Segundo amigos da família, a ex-primeira dama do Rio, Mariangeles Maia, não gosta nem de um nem de outro.

Graças a Cesar Maia, Indio da Costa elegeu-se vereador por duas vezes. Exerceu o cargo por pouco tempo, pois logo foi para a máquina da prefeitura. Ainda assim, deixou uma penca de inimigos na Câmara Municipal, capitaneados por Andrea Gouvêa Vieira, do PSDB. Durante o período em que presidiu a Comissão de Finanças, Orçamento e Fiscalização Financeira da Casa, ele foi criticado por conduzir as sessões de forma autoritária e ineficiente. Uma moção de repúdio a ele chegou a ser publicada no Diário Oficial do Município, quatro anos atrás.

Andrea Gouvêa Vieira se diz inconformada com a sua indicação a vice de Serra. “Ele nunca explicou a compra de merenda escolar superfaturada para a prefeitura, quando era secretário de Administração”, acusou. “O que eu fiz foi combater um cartel que dava prejuízo à prefeitura. Tanto que o processo foi arquivado pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas do Município”, rebateu Indio.

O parlamentar levantou-se da cadeira e foi até a sala “Energia Criativa”, decorada com uma cama e um aquário (“Para relaxar e ajudar a pensar melhor quando estou cansado”, explicou). Tirou da estante o livro Administração Pública no Século xxi: Foco no Cidadão, de sua autoria, editado pela Qualitymark, no qual narra sua experiência na Secretaria Municipal. “A primeira coisa que fiz quando cheguei foi derrubar paredes”, disse ele. “Queria uma administração moderna e transparente.” Assegurou que, com mudanças de procedimentos, remanejamento de pessoal e integração com outras secretarias, a cidade economizou 104 milhões de reais em um ano.

Entre as medidas estava a de, junto com auxiliares, atender a população uma vez por semana, no saguão da Secretaria. “Era preciso ouvir e entender os problemas.”

Ele também foi acusado de beneficiar Luiz Felippe Indio da Costa, seu tio e proprietário do Banco Cruzeiro do Sul, no credenciamento de contratos para crédito consignado aos aposentados da prefeitura. Nada foi comprovado. Indio da Costa sustenta que seu trabalho foi tão bom que acabou sendo copiado por administrações de outras capitais. Quando assumiu a Secretaria, acabara de ser eleito vereador com 17 mil votos. Ao deixar o posto, em 2006, elegeu-se deputado federal com 90 mil votos, terceiro candidato mais votado do partido. “Fui o único secretário de Administração que conseguiu se eleger”, festejou.

Na Câmara dos Deputados, ganhou visibilidade ao relatar o projeto Ficha Limpa, de iniciativa popular, que restringe a candidatura de pessoas condenadas por crimes graves. “Quando me deram a relatoria, mergulhei no projeto e passei sessenta dias estudando, ouvindo vários setores da sociedade”, contou. “Dei uma entrevista para o Jô Soares que teve enorme repercussão e durante o programa pude passar o endereço do meu Twitter, o número do meu celular e meu e-mail para o telespectador. A partir dali a movimentação da população para pressionar o Congresso a aprovar o projeto foi enorme”, explicou.

Sofia, de 6 anos, cabelos e olhos pretos como o pai, entrou no Instituto pelas mãos de Mariana, a irmã mais nova do deputado. A menina é filha do seu primeiro casamento, com a espanhola Olívia, que conheceu numa viagem à França e com quem ficou casado por dois anos. Indio atribui a separação à violência no Rio: Olívia decidiu se mudar com Sofia para Madri após escapar de um tiroteio entre traficantes da Rocinha, em 2005.

O deputado levantou-se para abraçar a filha, que vê a cada dois meses, e começou a se preparar para embarcar para São Paulo, onde teria sua terceira reunião, em dez dias, com a equipe de José Serra. Informado de que um dos assessores do tucano levaria as filhas para a reunião, pediu que a irmã preparasse Sofia para que ela também viajasse com ele. Diante da reação chorosa da menina, Indio levou a filha para a sala “Articulação”, onde ficou um bom tempo tentando convencê-la a acompanhá-lo. Não conseguiu. Ele explicou a razão da viagem. “Filhinha, papai vai ser presidente da República, quer dizer, vice-presidente, e está muito ocupado. Mas eu volto hoje mesmo, tá?”

Dois dias mais tarde, o clima no escritório do candidato a vice já era outro. Telefones tocavam, a movimentação de deputados e vereadores crescera. Indio da Costa esperava ansioso por um telefonema de Luiz Gonzalez, marqueteiro da campanha tucana, para definir o envio do material de campanha. Pediu licença para atender a ligação de São Paulo na sala batizada de “Secretárias”, e dela retornou satisfeito – a questão do material fora resolvida. “Eu conheço bem o Rio, mas sem material não há como divulgar nossa chapa”, explicou.

O deputado se define como qualificado analista de campanhas eleitorais. Assegurou-me ter colaborado com a equipe do bilionário Michael Bloomberg, em 2001, para elegê-lo prefeito de Nova York. “A assessoria dele me convidou para ajudá-los com minhas ideias”, contou. “E concordei em ir depois de fecharmos um trato: em troca da minha ajuda por duas semanas, eles me passariam informações sobre a política de recursos humanos da Bloomberg Business, que me interessava como futuro secretário de Administração do Rio.”

Indio da Costa cita Arick Wierson, o poderoso ex-assessor de comunicação, mídia e política de Michael Bloomberg, como sendo seu interlocutor mais próximo até hoje. Wierson fala português fluentemente, tem mestrado em economia pela Unicamp e foi vice-presidente do Amro Bank em São Paulo, antes de se tornar braço direito do prefeito nova-iorquino. Deixou o cargo três anos atrás, quando seu subordinado direto foi preso por desvio de fundos públicos. Hoje ele dirige a petroleira Occidental Atlântica, em Angola.

“Sou contra a liberação do aborto. Aborto não pode ser política pública de controle de natalidade. Vai ser uma carnificina.” Esta é apenas uma das posições que Indio da Costa assume a plenos pulmões. Ele também critica a ideia de reestatização. “Não tem nada pior que esse modelo de sair estatizando tudo. Estatizar não significa melhorar os serviços do governo. Não me preocupo com estatizar e privatizar. Me preocupo em saber quem tem condições de prestar melhores serviços, de gerir melhor os hospitais.”

Para ele os conceitos de esquerda e direita acabaram: “Eu não vivi isso, não vivo isso, meus amigos não vivem isso. Virou assunto apenas para a academia. Hoje, a discussão tem que ser em torno de qual seria a melhor solução para os nossos problemas.”

Perguntei-lhe como era sua relação com Serra, já que tinham se visto pouquíssimo antes de comporem a chapa, além de terem ideias diferentes. “Espetacular”, resumiu, para em seguida se derramar: “Ele é rápido, sério, objetivo, carinhoso, atento, preocupado com as pessoas que estão à sua volta. Ninguém chega a ser prefeito e governador de São Paulo sem ser alguém especial.”

Acrescentou que tinha mostrado o banco de dados de seu “Instituto de Ideias” ao companheiro de chapa, por acreditar que o projeto pode ser replicado em todo o Brasil. “Temos muitas coisas em comum”, disse. E esclareceu quais são: “experiência, conhecimento, inteligência, propostas, e uma enorme vontade de fazer.” Outro fator importante, na avaliação de Indio da Costa, é a sua juventude. “Serra tem cinquenta anos de vida pública e minha juventude ajuda a complementar. O Brasil tem 80 milhões de eleitores entre 16 e 40 anos e nenhum político que fale para eles. Eu farei a conexão com essa turma jovem”, garantiu.

Eram sete da noite quando o ex-deputado Márcio Fortes, tucano que concorre a vice-governador de Fernando Gabeira, do Partido Verde, entrou na sala para uma visita. “Te conheci no berçário”, disse para Indio da Costa. Sentaram-se para definir as estratégias conjuntas da campanha no Rio. Naquela noite, o vice participou com Serra de um encontro com artistas e intelectuais num restaurante no Leme. Serra não fez qualquer referência ao parceiro.

Na manhã seguinte, nos vimos em seu apartamento de Ipanema. Ali, o projeto também é do pai, a decoração da mãe, os móveis da firma do irmão, os quadros da irmã Gabriela, artista plástica, e a mesa de jantar em vidro projetada por um primo. No meio da sala fica um enorme aquário – peixes continuam sendo uma das paixões do deputado.

O deputado iria acompanhar o candidato José Serra a uma entrevista na Rádio Tupi, no centro da cidade. Estava atrasado. No trajeto pela orla de Copacabana, apontou para os quiosques no calçadão desenhados pelo irmão Guto, que substituíram os antigos, de fórmica e madeira. Comentou que o irmão havia sido premiado na Alemanha por esse projeto. Perguntei-lhe sobre as críticas ao fato de o projeto vitorioso ser do irmão, dado que Indio da Costa era ligado a Cesar Maia. “Esse é um projeto privado. Os vencedores o contrataram. Isso não tem nada a ver com o fato de eu ser ligado ao ex-prefeito”, disse.

Quando chegou à Tupi, a entrevista do radialista Haroldo de Andrade com Serra, que se atrasara vinte minutos, já tinha começado. À saída, Indio da Costa sugeriu que se fizesse um debate com os vices no programa, mas foi ignorado.

José Serra assegurou que a escolha de Indio da Costa foi exclusivamente dele. “Nunca me passou pela cabeça não ser eu o responsável pela indicação do meu vice”, disse. “As pessoas podem sugerir, mas a escolha tinha que ser minha. Vi a entrevista dele no Programa do Jô e me causou excelente impressão. Acredito que a solução tenha sido boa. O Gonzalez ficou feliz. Todo mundo ficou feliz. Eu não ouvi internamente nada contra ele. O Rio, que não tinha um candidato a vice há 107 anos, é uma região-chave e precisa ter gente fazendo a minha campanha independente das minhas alianças. O Indio é bom para isso.”

O filósofo José Arthur Giannotti, que tem vínculos históricos com o PSDB, não se alarmou com a escolha. “Na falta do titular, é preferível um jovem como vice do que um Michel Temer, representante do fisiologismo do pmdb e vice de Dilma.” Indagado se votaria em Indio da Costa para presidente, foi franco, como de hábito. “Contra quem? Contra Dilma é claro que votaria. Contra Aécio, óbvio que não.” De qualquer forma, ele acha que o vice não altera muito o quadro eleitoral a não ser que “faça uma barbaridade”.

A ideia de que vice-presidente não pesa na hora do voto é criticada por Mauro Paulino, diretor do Datafolha. “Nossas pesquisas indicam que 58% dos eleitores não levam o nome do vice em consideração na hora de escolher o candidato. Mas 25% se dizem muito influenciados e 17% se dizem um pouco”, informou. “Ou seja, 42% dos eleitores admitem sofrer alguma influência com o nome do vice, o que está longe de ser um percentual desprezível.”

No final de julho, José Serra voltou ao Rio. À noite, durante um jantar num restaurante na Lagoa, para o qual Indio levou a filha e a namorada jornalista, Andrea Moreira de Souza, ele falou sobre o papel do vice. “Contribuir para que os compromissos do presidente sejam cumpridos com eficiência, eficácia e menor custo”, recitou. “Vice tem uma função complementar, já que o presidente não pode fazer tudo. O vice tem que ajudar no projeto presidencial para o país, e não ter um projeto pessoal.”

O melhor membro da espécie que o Brasil já teve, em sua opinião, foi o senador Marco Maciel, no governo Fernando Henrique Cardoso. “Porque ele é honesto, sempre estabeleceu uma relação muito correta com o Legislativo e tem grande conteúdo teórico e político”, explicou. Afirmou identificar-se com o senador pernambucano e complementou o elogio: “Marco Maciel foi, sobretudo, extremamente discreto.”

Na mesma semana, Indio da Costa provocava uma barulheira de banda de garagem ao acusar o PT de ter ligação com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, e as Farc, por sua vez, de terem ligação com o tráfico de drogas no Rio. “Estou falando alguma mentira? O PT ameaçou me processar, mas até agora a Dilma não respondeu”, desafiou [o PT o processou]. Aproveitou o embalo e completou: “Coloquei tudo no meu Twitter. Dilma, ao contrário do Lula, não controla essa gente. Se ela se eleger, quem vai mandar é a turma do mensalão, o dark side do PT. Todo o entorno da campanha dela, com exceção do José Eduardo Cardozo, está envolvido com o mensalão.”

Terminado o jantar, Antônio Pedro Indio da Costa pediu ao garçom que lhe trouxesse um chá. Antes de tomá-lo, colocou duas pedras de gelo na xícara, e explicou. “Estou com uma afta na parte interna da bochecha.” Poderia ser estresse diante da proximidade das eleições? “Estresse?”, retorquiu espantado. “Eu sonhava em voltar para o Executivo e acabo de ser escolhido vice-presidente de um candidato que admiro muito. Eu não tenho o menor direito de ter estresse. 

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