Estadão.com.br
‹ Ir para edição atual

Busca avançada





  • Edição 68
  • Edição 67
  • Edição 66
  • Edição 65
  • Edição 64
  • Edição 63
  • Edição 62
  • Edição 61
  • Edição 60
  • Edição 59
  • Edição 58
  • Edição 57
  • Edição 56
  • Edição 55
  • Edição 54
  • Edição 53
  • Edição 52
  • Edição 51
  • Edição 50
  • Edição 49
  • Edição 48
  • Edição 47
  • Edição 46
  • Edição 45
  • Edição 44
  • Edição 43
  • Edição 42
  • Edição 41
  • Edição 40
  • Edição 39
  • Edição 38
  • Edição 37
  • Edição 36
  • Edição 35
  • Edição 34
  • Edição 33
  • Edição 32
  • Edição 31
  • Edição 30
  • Edição 29
  • Edição 28
  • Edição 27
  • Edição 26
  • Edição 25
  • Edição 24
  • Edição 23
  • Edição 22
  • Edição 21
  • Edição 20
  • Edição 19
  • Edição 18
  • Edição 17
  • Edição 16
  • Edição 15
  • Edição 14
  • Edição 13
  • Edição 12
  • Edição 11
  • Edição 10
  • Edição 9
  • Edição 8
  • Edição 7
  • Edição 6
  • Edição 5
  • Edição 4
  • Edição 3
  • Edição 2
  • Edição 1


Compartilhar:

Sardanapalo

Babilônios cabotinos contracenarão com garbosas falanges assírias?

por Zuca Sardan

Tamanho da letra:
Imprimir:

(SARDANAPALO) - Haja paciência!... Quanto tempo faz, que, por impróvidos problemas de Estado, não podemos mais fruir, eu e minhas três dondocas, de nossos conjugais folguedos no frondoso jardim suspenso da Vovó!...

(MANDRA) - Eis que adentra em nosso luxuoso salão o General Xamor.

(SARDANAPALO, bocejão) - Que ventos te embalam, Xamor?...

(NAZDA, surdina) - Nosso crocodilo Raxar o bocou pelo pé... Qua-Qua-Quaaaa...

(XAMOR) - Ai! Meu pé, ai!, Grão Sardanapalo, Glória da Mesopotâmia, AAAI!!!

(SARDANAPALO) - Rara invocação, Xamor... Diz-me, pois, a que vens, afinal?

(XAMOR, passo um sapo pro Raxar, que sossega) - Oh, gralhas infaustas! Oh, inexorável Fatalidade!...
Nabopolassar se aproxima, com seu poderoso batalhão.

(SARDANAPALO) - Esses babilônios, vãos cabotinos!... Não podem contracenar com as nossas garbosas falanges assírias, que a teu indômito comando, General Xamor, e pra minha glória supina, conquistaram Egito, Babilônia e

Palestina!...

(XAMOR, pigarrinho) - Bons tempos aqueles, Sardanapalo, em que luzíamos nos Médio e Próximo Orientes!... Mas, de há tantos anos bajulados pela Fortuna, nossos soldados se tornaram desleixados, devassos, beberrões...

(SARDANAPALO) - Uma vergonha, Xamor!... Oh, decadência!...

(XAMOR) - Querem te imitar, Sardanapalo!... Mas sem aquela tua elegância...

(SARDANAPALO) - Só o Rei tem direito a ser tirânico e devasso. Aos súditos, cabe o dever de se mostrarem sempre fiéis, cordatos, obedientes e... trabalhadores.

(XAMOR, suspirão) - Entretanto... enquanto conversamos, Nabopolassar...

(SARDANAPALO) - Ouço lá uma bulha... Enfim, aos soldados cabe a sagrada missão de se manterem ferozes, heróicos, e de, no fim, morrer pelo Rei.

(XAMOR) - Assim foi. Os poucos que sobraram... fugiram. E Nabopolassar...

(BARULHOS) - BRONG! BROOOOOOOOOOOOOONNNG!...

(SARDANAPALO) - O Castelo está desmoronando... Passa-me a taça, Nazda...

(XAMOR, pigarrinho) - Os persas estão forçando a porta do salão, Majestade...

(SULEIMA) - Caem paredes... CRASH!! POFF!! PAFF!!!

(SARDANAPALO) - Verte-me do tinto persa, Nazda. Belo púrpura...

(XAMOR) - A porta ainda resiste, mas os lustres desabam, os móveis dançam, as paredes racham... adensa-se a fumaceira de incêndio. Que faremos?...

(SARDANAPALO, ergo a taça) - Que nos venha o Pintor Delavigne...

(DELAVIGNE, entro com pincéis, palheta, tela, cavalete) - Salve, Sardanapalo!...

(SARDANAPALO) - Delavigne, pinta agora a minha morte nas chamas...

(DELAVIGNE, aprumo a tela, esgrimo o pincel) - Às minhas costas, a porta da sala que o Público assedia. Ao centro da composição, tu, Rei Sardanapalo, em pose airada...

(SARDANAPALO) - Muito bem. Morrerei bebendo vinho. Mas ninguém comerá minhas viúvas. Tu, Xamor, pega a Sulaima pelo pescoço, fecha a carranca e alça o punhal.

(XAMOR, pego Sulaima, que esperneia) - Corto-lhe a cabeça, Majestade?

(SARDANAPALO) - Ainda não, deixa o Delavigne fixar o flagrante.

(NAZDA e MANDRA, corremos à volta, esbaforidas) - SOCORRO!! SOCORRO!!

(SARDANAPALO, admiro o quadro) - Excelente, Delavigne... e o Público?...

(DELAVIGNE) - O Público contempla o quadro, mas do lado de fora da tela.

(SARDANAPALO) - Ledo engano... a porta rachou, o Público já irrompe pela tela, e o teto... desaba... CAPOOOONGAAAAAAAAA... Baixa a cortina, Mandra...

Visite a página da revista piauí no Orkut