Na calada da noite, o justiceiro surge das sombras com sua latinha de spray e bombardeia os muros do mundo com imagens contra a injustiça, a guerra e o capitalismo. Tudo o que está à mostra em sua loja virtual pode ser baixado de graça, mas celebridades pagam milhares de dólares pelo privilégio de pendurar na parede, com a devida assinatura, um de seus desaforos bem-humorados.
Seus pensamentos estão reunidos em quatro livros e espalhados em várias entrevistas, todas por e-mail ou telefone. Em carne e osso, só uma, para um jornalista do Guardian, de Londres. A grande revelação dessa entrevista é que qualquer branco magrela, nascido nas redondezas de Bristol, na Inglaterra, há mais ou menos trinta anos, que use camiseta, boné e brinco pode muito bem ser o famoso Banksy, o artista que inventou um modo de ficar rico com o grafite político.
A sua verdadeira identidade foi descoberta pelo menos duas vezes. Segundo a mais recente, Banksy é um certo Robin Gunningham, desaparecido de Bristol há tempos e descrito por ex-colegas como um cara muito jeitoso para desenho. Sem negar ou confirmar, Banksy apenas comentou em seu site: "Se é bom em desenho não parece ser Banksy." Andy Warhol, com quem tem sido comparado, aprovaria.
Pintar propriedades alheias na Inglaterra é crime. Dá cadeia mesmo quando a assinatura do vândalo é capaz de valorizar a propriedade, o bairro, a cidade e até colocar o país no mapa da arte contemporânea. Por isso Banksy, como Zorro, se mantém anônimo, misturado na multidão de admiradores dos seus protestos românticos.

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