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questões musicais

  • Elisete Cardoso é luxo só!

    Elisete Cardoso é luxo só!

    Elisete Cardoso, “a divina”, grande dama da música popular brasileira, foi pioneira da bossa-nova: em 1958 participou do antológico LP Canção do amor demais, com músicas dos então novos compositores Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, onde se ouviria pela primeira vez a batida de violão de João Gilberto na faixa Chega de saudade. Ambas entrariam para a história, a música e a batida, a partir de então, totalmente amalgamadas. Dentre as músicas gravadas, As praias desertas, Janelas abertas, Eu não existo sem você, Outra vez, Estrada Branca, Modinha, todas de Vinicius e Tom. Apesar de Elisete não ser uma cantora cool, foi ela a primeira que gravou as canções do que seria em breve chamado de bossa nova. — Leia o post completo.


  • Júlio Cortázar e a música: a volta ao dia em diversos mundos

    Júlio Cortázar queria escrever do jeito que um músico de jazz improvisa: “a invenção constante, o trajeto labiríntico, os impasses, os riscos de autodestruição, o silêncio, as narrativas por fim regatadas do naufrágio”, diz David Arrigucci Jr. Era assim que fazia Lester Young quando improvisava em Three LittleWords, uma invenção que segue sendo fiel ao tema que combate e transforma: “Lester escolhia o perfil, quase a ausência do tema, evocando-o quem sabe como a antimatéria evoca a matéria.”, diz Cortázar. — Leia o post completo.


  • O canto livre de Nara

    O canto livre de Nara

    Quem tocava muito bem no violão as músicas da bossa nova que a Nara cantava era minha irmã Bete. Eu ficava olhando, ouvindo, impressionada com a facilidade com que minha mana fazia no violão todas aqueles acordes com nonas e décimas terceiras menores, com quinta menor, sétimas aumentadas... Uma encrenca. Mas soava tão bem: Ah! Insensatez, que você fez/ Coração mais sem cuidado... Aí eu me animava e também aprendia a tocar. A bossa nova foi nossa cartilha musical, e com ela João Gilberto, Tom Jobim e Nara Leão. — Leia o post completo.


  • O mundo melhor de Pixinguinha

    O mundo melhor de Pixinguinha

    Eu tenho a foto dele, aquela tirada pelo Walter Firmo, bem aqui, em frente à minha mesa de trabalho, divina e diária inspiração: Pixinguinha em sua cadeira de balanço, à sombra de uma árvore frondosa, segurando com delicadeza o saxofone, semblante feliz e sereno. Há uma coisa que os santos e os artistas têm em comum: essa capacidade inata de transcender o aqui e agora, essa habilidade de criar e habitar um outro mundo dentro desse .Um mundo melhor. — Leia o post completo.


  • Outros sons

    Outros sons

    Foi com Arrigo que aprendi a ouvir outros sons. Quando o conheci, eu já cantava, tocava violão e estudava filosofia. Conhecia bem a música popular brasileira, nossos clássicos. Pequena ainda, por influência de meu pai, ouvi Aracy de Almeida cantando Noel Rosa, Marlene cantando Assis Valente. Aprendi a tocar violão na época da bossa-nova, ouvia e tinha visto Caetano e Gil pela TV, acompanhei todos os festivais de música, conhecia a música de Paulinho da Viola e dos outros bambas da MPB. Tinha uma relação catártica com a música: ouvia, gostava, aprendia, cantava e pronto. Sempre fui intérprete: gostava de expressar meus sentimentos no canto e ainda hoje sou assim. Naquela época, eu não pensava na estrutura da canção, em como ela era feita, não analisava. Com Arrigo, aprendi a pensar a música.  — Leia o post completo.


  • Arrigo Barnabé: labirinto e mirante

    Falar de Arrigo não é fácil. Seu trabalho tem uma complexidade e abrangência muito grandes. Mas gosto de desafios e acho que há uma certa urgência em falar de nossos grandes artistas: são raros e descortinam mundos possíveis. E impossíveis também. Mirante e labirinto.

    A aparição de Arrigo no festival da TV Cultura em 1979 com a apresentação de Infortúnio e Diversões eletrônicas foi uma explosão. O público atônito se perguntava: que música estranha era aquela? — Leia o post completo.


  • Sganzerla e o cinema como melodia

    Um calor danado. Nada de chuva. Estou aqui pensando no cinema de Rogério Sganzerla, uma explosão de idéias, imagens e sons, na sua relação tão visceral com a música, brasileira ou não. Noel, o samba, Jimmy Hendrix, João Gilberto. Em como seus filmes me tocaram. Pensando que o cinema de Sganzerla é musica polifônica e atonal, as imagens, notas musicais que, como acordes, se sobrepõem em dissonâncias inéditas, combinações inesperadas que instauram um outro campo harmônico, intergaláctico, que a montagem imprime ritmo, é música, som traduzido em imagem, imagem traduzida em som. Estou aqui tentando traduzir em palavras o impacto que sua arte teve em mim. Mas, como diria Noel, isto não tem tradução, não tem tradução, o cinema falado é o grande culpado ... — Leia o post completo.


  • Filosofia do samba

    Mestre Candeia já sabia: o samba pode ser um modo sofisticado de filosofar. Em Filosofia do samba, ele questiona a razão, zomba dela, pois "a razão fica sempre com dois lados", diz uma coisa e faz outra, é engano porque promete o que não cumpre, fala o que não faz; é ideologia. Candeia aponta a falsidade e a sabedoria do sambista está em revelar este falso saber, pois o que a razão diz não é verdade, é ilusão. O pensamento do compositor popular se articula de outra forma: vai além da aparência racional, aponta sua fratura, despreza a razão e põe a falsidade a nu, sambando. Um outro pensar, uma outra filosofia. Paulinho da Viola canta Candeia: — Leia o post completo.


  • Radiante: Chiquinha Gonzaga

    Radiante: Chiquinha Gonzaga

    Foi uma amiga querida que acendeu minha paixão por Chiquinha Gonzaga. No início dos anos noventa. Eu conhecia a marchinha carnavalesca Ô Abre-Alas, sabia que era a primeira mulher brasileira compositora, e só. E isso porque não havia muita coisa disponível pra gente escutar ou ler. Sua obra era praticamente desconhecida e isso não faz muito tempo. Só depois disso foi que fizeram uma minissérie na TV, peça de teatro e as pessoas conheceram melhor sua música.  — Leia o post completo.


  • Vinhos finos... cristais

    Vinhos finos... cristais

    Sartre diz em Que é a literatura? que a poesia, diferentemente da prosa, está lado a lado com a pintura, a escultura e a música. Estas artes, para ele, não são linguagem, não buscam significar algo através delas, são coisas: Aquele rasgo amarelo no céu sobre o Gólgota, Tintoretto não o escolheu para significar angústia, nem para provocá-la: ele é angústia feita coisa(...). Diz Sartre que as cores, as formas, os sons musicais são coisas que existem por si mesmas, não remetem a nada que esteja fora delas e o trabalho do artista será o de transformar estas coisas em objetos imaginários.  — Leia o post completo.




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