No final de sua vida, sofrendo de surdez absoluta e vários problemas de saúde, o maior compositor do século XIX, Ludwig van Beethoven, entrara em profunda depressão e tornara-se quase alcoólatra.

O documento mostrado nessa página data de agosto de 1826, seis meses antes de sua morte. Trata-se de um recibo pelos pagamentos que lhe fazia anualmente o príncipe Kinsky, da Áustria, seu grande admirador que propusera essa pensão ao compositor em 1809.

Kinsky morrera em 1812, quatorze anos antes desse documento, mas Beethoven processou seus herdeiros e conseguiu que lhe fosse restituída a pensão anual, agora de forma vitalícia.

No dia 28 de agosto de 1826, quando Beethoven dirigiu-se ao escritório dos advogados do príncipe para receber uma parcela bimensal da quantia da pensão, o grande compositor já devia ter bebido muito. Ao realizar um gesto que se tornara habitual, o de assinar seis vezes por ano os recibos de duzentos florins, Beethoven resolveu − só de brincadeira − entregar-se à sua fantasia, e multiplicou o tamanho de sua assinatura usual de tal forma que esta passou a ocupar quase metade da folha do recibo.

O pessoal do príncipe aceitou, pois apesar de notarem que o compositor estava bêbado, a assinatura correspondia à que já conheciam, ainda que super dimensionada.

É a maior assinatura autêntica de Beethoven de que se tem notícia.