No século XIX, popularizou-se na Europa uma prática que era já comum entre os estudantes alemães, desde o século XVII: a de conservar em pequenos álbuns encadernados, pensamentos, curtos textos manuscritos ou simples dedicatórias de colegas e professores de universidade. Por volta de 1830, passou a ser considerado de bom tom na burguesia europeia que donas de casa que recebiam ocasionalmente escritores, músicos ou artistas mantivessem um álbum no qual os visitantes deixavam alguns versos, notas de música, desenhos ou apenas uma mensagem amável.

Nos anos 1840 e 1850, esses álbuns tornaram-se verdadeira febre entre as anfitriãs que abriam os salões mais concorridos nas principais capitais do velho continente.

Os maiores poetas como Goethe, Heine ou Victor Hugo, compositores como Chopin, Schumann, Berlioz ou Verdi escreviam versos ou extratos de suas obras musicais, e não raro estes álbuns servem hoje de fonte primária, quando o autor deixou neles o único manuscrito de algum pequeno texto composto para a circunstância, e que permaneceu inédito.

Os álbuns mais valorizados são naturalmente aqueles que contêm o maior número de contribuições assinadas por grandes nomes, e a maior parte dos mais importantes encontra-se hoje em museus, bibliotecas ou instituições culturais de prestígio.

No final do século XIX popularizou-se entre a classe média inglesa e do resto da Europa o costume de pedir à pessoa famosa apenas uma assinatura, e a moda difundiu-se até mesmo no seio de famílias reais.

A folha aqui reproduzida provém de um desses álbuns, formado pela princesa Louise, filha do rei da Inglaterra, Eduardo VII, ele mesmo filho da rainha Vitória.  A princesa era prima ou parente próxima de quase todos os monarcas europeus e tinha naturalmente um acesso fácil para pedir que enriquecessem seu álbum com suas assinaturas.  Assim o fez, na manhã de 9 de junho de 1908, quando encontrou-se com toda a família imperial russa acompanhada do Primeiro Ministro, de outros membros do governo e da Corte.

O Czar Nicolau II era de fato seu primo-irmão e a Czarina também sua prima. Por isso, Nicolau assina com seu apelido familiar de “Nicky” e Alexandra com o seu, “Alix”.

Louise conseguiu o feito de obter numa mesma folha as assinaturas dos Czares, das quatro Grã-Duquesas, − suas filhas quase adolescentes, Olga, Tatiana, Maria e Anastasia − e obteve até mesmo um garrancho do pequeno Alexei, o Czarevitch, herdeiro presuntivo do trono, então com apenas quatro anos. Além dos membros da família Imperial imediata assinaram também outros parentes do Czar e membros do governo, inclusive o primeiro ministro Piotr Stolypin.

Esta página − talvez a única em que estejam reunidas tantas assinaturas significativas do final do império Russo − possui também um intenso poder de evocação do fim trágico do Czar, sua mulher e cinco filhos, executados dez anos mais tarde num vilarejo da Sibéria. Stolypin, o mais capaz dos governantes russos, seria igualmente assassinado três anos depois deste documento, e, se tivesse sobrevivido, o destino da Rússia poderia ter sido outro.

O álbum da princesa Louise teve suas páginas dispersadas por volta de 1990 por obra de um livreiro americano que as vendeu de forma avulsa. Esta − sem dúvida a mais importante − foi comprada por um destacado colecionador particular dos Estados Unidos e reapareceu há dois anos − inexplicavelmente num leilão pouco concorrido −, no qual foi adquirida por seu atual detentor.